Você já parou para pensar no que vai acontecer com seu patrimônio quando você não estiver mais aqui? Essa é uma pergunta que muitos brasileiros evitam, mas que pode fazer toda a diferença para o futuro da sua família e do seu legado.
O planejamento sucessório não é apenas para milionários ou empresários. Se você tem bens, investimentos ou uma empresa, esse planejamento pode economizar milhares de reais em impostos, evitar brigas familiares e garantir que seus desejos sejam respeitados.
Neste guia completo, você vai entender tudo sobre planejamento sucessório: o que é, como funciona, quanto custa e quais estratégias podem proteger seu patrimônio em 2025.
O que é planejamento sucessório
Planejamento sucessório é o conjunto de estratégias jurídicas e financeiras usadas para organizar a transferência do seu patrimônio para seus herdeiros da forma mais eficiente possível.
Em outras palavras, é decidir em vida como seus bens serão distribuídos após sua morte, minimizando custos, impostos e conflitos entre familiares.
A diferença entre planejamento sucessório e inventário
Muita gente confunde planejamento sucessório com inventário, mas são coisas bem diferentes:
Inventário é o processo judicial ou extrajudicial que acontece depois do falecimento para dividir os bens. É obrigatório por lei, pode demorar anos e geralmente custa caro (entre 4% e 10% do valor dos bens em despesas e impostos).
Planejamento sucessório acontece em vida, antes de qualquer problema. Você organiza tudo antecipadamente para que o inventário seja mais rápido, mais barato ou até desnecessário em alguns casos.
O que envolve o planejamento sucessório
Um planejamento sucessório completo considera diversos aspectos:
Patrimônio: imóveis, empresas, investimentos, veículos, contas bancárias, participações societárias, direitos autorais, criptomoedas e qualquer outro bem de valor.
Família: cônjuge, filhos, netos, pais, irmãos e até pessoas fora da família que você deseja beneficiar.
Tributos: ITCMD (imposto sobre herança), Imposto de Renda, taxas de cartório e custos de inventário.
Desejos pessoais: como você quer que seus bens sejam distribuídos, quem vai administrar seu patrimônio, condições especiais para herança e proteção de herdeiros vulneráveis.
Negócios: sucessão empresarial, continuidade da empresa familiar, proteção contra descontinuidade dos negócios.
Por que fazer planejamento sucessório
Existem razões práticas, financeiras e emocionais para fazer um planejamento sucessório. Vamos às principais:
Economia tributária significativa
O ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) é o imposto estadual sobre herança. Com a Reforma Tributária de 2025, as alíquotas passaram a ser progressivas, podendo chegar a 8% do valor dos bens em muitos estados.
Com planejamento, você pode:
Reduzir a base de cálculo usando estruturas como holding familiar, onde o imposto incide sobre o valor das quotas (geralmente menor) e não sobre o valor de mercado dos bens.
Aproveitar alíquotas menores fazendo doações antecipadas enquanto as alíquotas ainda são baixas, antes de aumentos futuros.
Usar isenções e benefícios que existem em diversos estados para certas faixas de valor ou tipos de transmissão.
Exemplo prático: uma família com patrimônio de R$ 5 milhões pode economizar entre R$ 150 mil e R$ 400 mil em impostos com um bom planejamento sucessório, dependendo do estado e das estratégias utilizadas.
Evitar conflitos familiares
Disputas por herança são uma das principais causas de brigas entre irmãos, filhos e outros parentes. O planejamento sucessório estabelece regras claras sobre quem recebe o quê, reduzindo dramaticamente as chances de conflito.
Quando há testamento, doações organizadas ou uma holding bem estruturada, as decisões já estão tomadas. Não há espaço para interpretações ou disputas sobre “o que o falecido queria”.
Proteger herdeiros vulneráveis
Se você tem filhos menores de idade, filhos com deficiência ou herdeiros que não sabem administrar dinheiro, o planejamento sucessório permite criar mecanismos de proteção.
Você pode estabelecer que a herança seja administrada por um terceiro de confiança, criar rendas mensais em vez de entregar tudo de uma vez, ou colocar cláusulas de proteção que impedem a venda dos bens por certo período.
Garantir a continuidade de negócios
Para empresários, o planejamento sucessório é fundamental. Dados mostram que apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à segunda geração, e somente 15% chegam à terceira.
A principal causa? Falta de planejamento sucessório.
Com uma estrutura adequada, você garante que sua empresa continue operando normalmente após seu falecimento, evitando disputas entre sócios, bloqueio de contas ou descontinuidade das operações.
Reduzir tempo e burocracia
Um inventário tradicional no Brasil demora, em média, de 1 a 3 anos para ser concluído. Durante esse período, os bens ficam bloqueados e os herdeiros não podem vendê-los ou usá-los livremente.
Com planejamento sucessório adequado, especialmente usando instrumentos como doação com reserva de usufruto ou holding familiar, grande parte dos bens já está transferida antes do falecimento. O inventário fica muito mais simples e rápido, quando não é totalmente dispensado.
Privacidade e discrição
O processo de inventário judicial é público. Qualquer pessoa pode consultar os autos e saber exatamente quanto você deixou e para quem.
Algumas estruturas de planejamento sucessório, como as holdings familiares e doações privadas, mantêm seus assuntos patrimoniais fora dos olhos do público.
Quando começar o planejamento sucessório
A resposta curta: agora. A resposta um pouco mais elaborada depende da sua situação.
Não existe idade mínima ou ideal
Muitas pessoas pensam que planejamento sucessório é coisa de idoso, mas isso é um erro. Acidentes e imprevistos acontecem em qualquer idade, e quanto mais cedo você se organiza, mais opções e benefícios fiscais tem disponíveis.
Dito isso, existem momentos da vida em que o planejamento se torna mais urgente:
Aos 40-50 anos: é quando a maioria das pessoas já acumulou patrimônio significativo e tem filhos dependentes. É o momento ideal para estruturar uma holding familiar ou fazer doações com reserva de usufruto.
Aos 60+ anos: a urgência aumenta. As mudanças na legislação tributária podem acontecer a qualquer momento, e fazer o planejamento agora garante que você aproveitará as regras atuais, que podem ser mais favoráveis que as futuras.
Ao abrir uma empresa: se você está começando ou já tem um negócio, o planejamento sucessório empresarial deveria ser parte da estratégia desde o início.
Ao casar ou ter filhos: mudanças na estrutura familiar exigem revisão ou criação do planejamento. O regime de bens do casamento, por exemplo, impacta diretamente como a herança será distribuída.
Ao receber herança ou ganhar patrimônio significativo: se você recebeu uma herança, vendeu uma empresa ou teve ganho patrimonial relevante, é hora de planejar como esse patrimônio será gerido e transmitido.
O custo de adiar
Cada ano que você adia pode significar:
Perda de janelas tributárias: as alíquotas do ITCMD estão aumentando. Em 2024 e 2025, muitas famílias correram para fazer doações antes das mudanças da Reforma Tributária. Quem esperou vai pagar mais imposto.
Menos tempo para estruturar: algumas estratégias, como holding familiar, precisam de tempo para maturar e não serem questionadas pela Receita Federal. Fazer às pressas, quando a saúde já está fragilizada, pode gerar problemas.
Risco de incapacidade: um AVC, demência ou acidente pode deixar você incapacitado antes de organizar tudo. Sem planejamento prévio, sua família terá muito mais dificuldade para administrar seu patrimônio.
Sinais de que você precisa começar agora
Responda honestamente:
- Você tem patrimônio acima de R$ 500 mil?
- Tem filhos menores de idade?
- Possui uma empresa ou é sócio de algum negócio?
- Está em segundo casamento ou união estável?
- Tem bens no exterior?
- Seus herdeiros têm dificuldade de relacionamento entre si?
- Você nunca fez testamento ou doação formal?
Se você respondeu “sim” para duas ou mais perguntas, seu planejamento sucessório deveria começar imediatamente.
Principais instrumentos do planejamento sucessório
Existem diversas ferramentas jurídicas que podem ser usadas no planejamento sucessório. Vamos conhecer as principais:
Testamento
O testamento é o instrumento mais tradicional e conhecido. É um documento onde você deixa registrado como quer que seus bens sejam distribuídos após sua morte.
O que você pode fazer com testamento:
Dispor livremente de 50% do seu patrimônio (a “parte disponível”). Os outros 50% são destinados obrigatoriamente aos herdeiros necessários (filhos, cônjuge, pais).
Nomear um tutor para seus filhos menores.
Estabelecer condições para a herança (como “meu filho só receberá aos 25 anos” ou “o imóvel não pode ser vendido por 10 anos”).
Incluir pessoas que não são herdeiras legais, como amigos, namorados ou instituições de caridade.
Descrever preferências sobre funeral, doação de órgãos e outros desejos pessoais.
Tipos de testamento:
Público: feito em cartório, na presença de testemunhas. É o mais seguro pois fica registrado e não pode ser perdido ou destruído.
Particular: escrito de próprio punho ou digitado, com três testemunhas. Mais simples e barato, mas precisa ser validado judicialmente após o falecimento.
Cerrado: escrito e lacrado, entregue ao tabelião. Raramente usado no Brasil.
Custo: entre R$ 500 e R$ 3.000 para testamento público, dependendo do estado e da complexidade.
Doação com reserva de usufruto
Esta é uma das estratégias mais populares no Brasil. Funciona assim: você doa o bem (geralmente um imóvel) para seus herdeiros, mas reserva para si o direito de usar e receber os frutos desse bem enquanto viver.
Como funciona na prática:
Você continua morando no imóvel ou recebendo o aluguel dele.
Seus filhos já são donos do imóvel (têm a “nua-propriedade”).
Quando você falecer, o imóvel não entrará no inventário porque já foi doado.
Você paga ITCMD no momento da doação, mas com alíquotas potencialmente menores do que as futuras.
Vantagens:
Redução ou eliminação de inventário.
Antecipação da sucessão com segurança (você não perde o controle).
Economia tributária se feita no momento certo.
Desvantagens:
Você paga o ITCMD imediatamente.
A doação é irrevogável (não dá para voltar atrás, mesmo que se arrependa).
Pode gerar Imposto de Renda sobre ganho de capital se o bem valorizou muito.
Holding familiar
A holding familiar é uma empresa criada especificamente para administrar o patrimônio da família. É uma das estruturas mais completas e eficientes para planejamento sucessório.
Como funciona:
Você transfere seus bens (imóveis, investimentos, participações em empresas) para uma empresa que você cria.
Essa empresa emite quotas ou ações que representam o patrimônio.
Você doa as quotas da empresa para seus herdeiros, mantendo o usufruto ou a administração.
Quando você falecer, não há inventário sobre os bens (que estão na empresa), mas apenas sobre as quotas que ainda estavam em seu nome.
Vantagens:
Gestão centralizada e profissional do patrimônio.
Economia tributária significativa (o ITCMD incide sobre o valor das quotas, não dos bens).
Proteção patrimonial e blindagem contra credores em certas situações.
Facilita a sucessão empresarial.
Permite criar regras de governança familiar (acordo de quotistas).
Desvantagens:
Custo de constituição e manutenção anual (contador, obrigações acessórias).
Complexidade na estruturação.
Mudanças recentes na legislação exigem cuidado: desde 2025, o ITCMD deve ser calculado pelo valor de mercado dos bens, não mais pelo valor histórico.
Quando vale a pena: geralmente para patrimônios acima de R$ 2 a 3 milhões.
Previdência privada (PGBL e VGBL)
Os planos de previdência privada também são usados como instrumentos de planejamento sucessório, especialmente o VGBL.
VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre):
Se você mantiver o investimento por mais de 5 anos, o valor resgatado pelos beneficiários é isento de ITCMD.
Não entra no inventário, vai direto para os beneficiários indicados.
Permite nomear qualquer pessoa como beneficiária, não apenas herdeiros legais.
PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre):
Com as mudanças de 2025, passou a ser tributado pelo ITCMD independentemente do prazo.
Menos vantajoso para sucessão, mais indicado para quem faz declaração completa do IR e quer dedução.
Vantagens:
Rapidez (beneficiários recebem em dias ou semanas).
Privacidade total.
Flexibilidade na escolha de beneficiários.
Desvantagens:
Rentabilidade geralmente menor que outros investimentos.
Taxas de administração e carregamento.
Tributação de IR sobre rendimentos.
Seguro de vida
O seguro de vida é uma ferramenta poderosa e subutilizada no planejamento sucessório brasileiro.
Por que usar:
O valor do seguro não entra no inventário e não paga ITCMD.
Os beneficiários recebem rapidamente, às vezes em poucos dias.
Pode ser usado estrategicamente para pagar o ITCMD sobre outros bens, evitando que a família precise vender patrimônio às pressas.
Tipos mais usados em sucessão:
Vida inteira: você paga enquanto viver e o seguro sempre será pago quando você falecer.
Temporário: cobre por um período específico (ex: 20 anos), é mais barato mas não garante pagamento.
VGBL com cobertura por sobrevivência: funciona como investimento + seguro.
Estratégia avançada: contratar um seguro no valor estimado do ITCMD que você espera pagar. Quando você falecer, o seguro paga o imposto e seu patrimônio fica intacto para os herdeiros.
Trustes (estruturas internacionais)
Para patrimônios muito grandes ou internacionalizados, existe a opção de criar trustes no exterior.
O que é trust:
Estrutura jurídica comum em países de common law (EUA, Inglaterra) onde você transfere bens para um administrador (trustee) que os gerencia em benefício de terceiros (beneficiários).
Quando pode fazer sentido:
Patrimônio acima de dezenas de milhões de reais.
Bens no exterior.
Família multinacional.
Desejo de privacidade extrema.
Cuidado: trustes são extremamente complexos, têm custos elevados e podem gerar problemas com a Receita Federal se não estruturados corretamente. Desde 2023, as regras de tributação sobre trustes ficaram mais rigorosas no Brasil.
Custos envolvidos no planejamento sucessório
Uma das maiores dúvidas de quem pensa em planejamento sucessório é: quanto isso custa?
A resposta depende muito das estratégias escolhidas e do tamanho do patrimônio. Vamos detalhar:
Custos por instrumento
Testamento público:
Cartório: R$ 500 a R$ 3.000 (varia por estado)
Advogado para elaboração: R$ 1.500 a R$ 5.000
Total: R$ 2.000 a R$ 8.000 (pagamento único)
Doação com reserva de usufruto:
ITCMD: 2% a 8% sobre o valor do bem (varia por estado)
Escritura pública: R$ 1.500 a R$ 6.000
Registro: R$ 500 a R$ 3.000
Advogado: R$ 3.000 a R$ 15.000
Exemplo: doação de imóvel de R$ 500 mil em SP (alíquota 4%):
- ITCMD: R$ 20.000
- Cartório e registro: R$ 4.000
- Advogado: R$ 5.000
- Total: R$ 29.000
Holding familiar:
Constituição inicial:
- Registro da empresa: R$ 2.000 a R$ 5.000
- Transferência de bens: R$ 5.000 a R$ 20.000
- Advogado especializado: R$ 15.000 a R$ 50.000
- ITCMD sobre doação de quotas: 2% a 8% do valor
Total inicial: R$ 25.000 a R$ 100.000+ dependendo da complexidade
Manutenção anual:
- Contador: R$ 3.000 a R$ 15.000/ano
- Obrigações acessórias: R$ 2.000 a R$ 8.000/ano
- Total anual: R$ 5.000 a R$ 25.000
Seguro de vida:
Varia enormemente conforme idade, saúde e valor segurado.
Para pessoa de 50 anos, saudável, seguro de R$ 1 milhão: R$ 3.000 a R$ 8.000/ano
Previdência privada:
Não há custo de entrada além do aporte inicial.
Custos embutidos: taxa de administração (0,5% a 3% ao ano) e taxa de carregamento (0% a 5% sobre aportes)
Comparação: custo de planejar vs não planejar
Vamos usar um exemplo real para entender:
Família com patrimônio de R$ 3 milhões (2 imóveis + investimentos)
Sem planejamento:
Quando o patriarca falecer, seus herdeiros enfrentarão:
- ITCMD: R$ 120.000 a R$ 240.000 (4% a 8%)
- Custos de inventário: R$ 30.000 a R$ 60.000
- Honorários advocatícios: R$ 40.000 a R$ 80.000
- Tempo: 1 a 3 anos
- Total: R$ 190.000 a R$ 380.000
Com planejamento (holding familiar + doações):
Investimento inicial:
- Constituição holding: R$ 40.000
- ITCMD sobre doação: R$ 90.000 (aproveitando valor de quotas menor que bens)
- Total inicial: R$ 130.000
Manutenção por 10 anos: R$ 100.000
Custo total em 10 anos: R$ 230.000
Economia potencial: até R$ 150.000 além de tempo, privacidade e segurança.
Patrimônio mínimo para compensar
Como regra geral:
Testamento: compensa para qualquer patrimônio (custo baixo, benefícios altos)
Doação simples: compensa acima de R$ 300.000
Holding familiar: geralmente compensa acima de R$ 2 a 3 milhões
Estruturas internacionais: acima de R$ 20 a 50 milhões
Erros comuns no planejamento sucessório
Conhecer os erros mais frequentes ajuda você a evitá-los. Aqui estão os principais:
Adiar indefinidamente
Este é o erro número um. Muitas pessoas acham que “ainda têm tempo” ou que “isso é coisa de velho”.
A realidade: acidentes acontecem. Doenças súbitas aparecem. E quando você mais precisa fazer o planejamento, pode estar incapacitado.
Além disso, as janelas tributárias fecham. As alíquotas do ITCMD subiram em 2025 e podem subir ainda mais. Quem planejar agora usa as regras atuais. Quem esperar pagará mais.
Usar “receitas prontas”
Cada família é única. Copiar a estrutura que funcionou para seu amigo empresário pode não fazer sentido para você.
Um profissional liberal com R$ 2 milhões em investimentos precisa de um planejamento diferente de um empresário com R$ 2 milhões em participações societárias.
Evite aquelas palestras que vendem holding familiar como solução universal. Analise sua situação específica.
Não envolver a família
Planejamento sucessório feito em segredo completo pode gerar surpresas ruins.
Imagine a situação: você cria uma holding, doa quotas para seus filhos, mas nunca conversa com eles sobre isso. Quando você falecer, eles descobrem que são sócios de uma empresa que nem sabiam que existia.
Isso não significa que você precisa detalhar cada número, mas um diálogo franco sobre seus planos evita conflitos futuros e prepara a próxima geração.
Ignorar questões emocionais
Patrimônio mexe com emoções. Aquele filho que cuidou de você nos últimos anos pode sentir que merece mais. Aquele outro que é empresário pode achar que deveria ficar com a empresa da família.
Planejamento sucessório técnico perfeito, mas que ignora as dinâmicas emocionais, pode explodir em conflitos após sua morte.
Considere não apenas o “quanto” cada um recebe, mas também o “como” e o “por quê”.
Esquecer de atualizar
Você fez um testamento aos 40 anos, quando era casado e tinha dois filhos. Hoje, aos 60, você está divorciado, em nova união estável, e tem mais um filho.
Se você não atualizou seu testamento, ele pode não refletir mais sua vontade. Pior: pode gerar disputas judiciais entre seus herdeiros.
Regra de ouro: revise seu planejamento sucessório a cada 3 a 5 anos, ou sempre que houver mudança significativa na família ou patrimônio.
Considerar apenas impostos
Planejamento sucessório não é só economia tributária. É também sobre:
Harmonia familiar
Continuidade de negócios
Proteção de herdeiros vulneráveis
Realização de desejos pessoais
Algumas famílias se obsessionam tanto em economizar ITCMD que criam estruturas complexas demais, que acabam gerando custos e conflitos maiores que o imposto economizado.
Contratar profissionais não especializados
Seu contador que faz a contabilidade da sua empresa pode ser excelente no que faz, mas não necessariamente entende de planejamento sucessório.
Seu advogado que te ajudou em uma questão trabalhista pode ser ótimo, mas sucessão patrimonial é uma especialidade diferente.
Busque profissionais com experiência comprovada em Direito Sucessório, Tributário e Planejamento Patrimonial.
Não testar a estrutura
Você criou uma holding familiar linda no papel, com cláusulas detalhadas. Mas será que ela funciona na prática?
Faça simulações. Teste cenários. Consulte a família. Veja se as regras que você criou fazem sentido no dia a dia.
Estruturas muito rígidas ou complicadas podem se tornar armadilhas para seus próprios herdeiros.
Omitir bens ou herdeiros
Esquecer de incluir aquela conta de investimentos no exterior. Não mencionar um filho de relacionamento anterior. Omitir uma participação societária.
Esses “esquecimentos” (intencionais ou não) geram problemas enormes. Bens não declarados viram disputas judiciais. Herdeiros esquecidos podem anular todo o planejamento.
Seja transparente e completo.
Como escolher profissionais para o planejamento sucessório
O planejamento sucessório é interdisciplinar. Você precisará de pelo menos dois profissionais: um advogado e um contador. Dependendo da complexidade, pode incluir também planejador financeiro e avaliador de empresas.
Advogado especialista em direito sucessório
O que ele faz:
Analisa sua situação familiar e patrimonial
Propõe as melhores estruturas jurídicas
Elabora testamentos, contratos de doação, estatutos de holding
Registra os documentos em cartório
Acompanha o processo e futuras atualizações
Como escolher:
Procure alguém com especialização em Direito Sucessório, Família ou Planejamento Patrimonial (não apenas direito civil genérico).
Peça referências e cases anteriores (respeitando o sigilo, é claro).
Verifique se ele está atualizado com a Reforma Tributária de 2025 e mudanças recentes.
Pergunte sobre a metodologia de trabalho: bons profissionais fazem diagnóstico completo antes de propor soluções.
Perguntas para fazer na primeira consulta:
“Quantos planejamentos sucessórios você já estruturou?”
“Qual sua experiência com holdings familiares?” (se for seu caso)
“Como você se mantém atualizado com mudanças na legislação?”
“Qual o prazo e custo estimado para meu caso?”
“Você trabalha em conjunto com contadores?”
Contador especializado
O que ele faz:
Calcula os impactos tributários de cada estratégia
Constitui e mantém holdings familiares
Faz o planejamento tributário
Cuida das obrigações acessórias
Elabora simulações de cenários
Como escolher:
Experiência em planejamento tributário e holding familiar (não apenas contabilidade tradicional).
Conhecimento atualizado sobre ITCMD e Imposto de Renda em sucessões.
Capacidade de trabalhar em equipe com advogados.
Perguntas importantes:
“Você tem experiência com holdings patrimoniais?”
“Como você calcula a economia tributária projetada?”
“Quais são os custos anuais de manutenção?”
“Você trabalha com algum advogado especialista que possa indicar?”
Planejador financeiro (CFP)
Não é obrigatório, mas pode agregar muito valor, especialmente se você tem investimentos significativos.
O que ele faz:
Analisa sua situação financeira completa
Sugere a melhor estrutura de investimentos para sucessão
Indica produtos financeiros adequados (previdência, seguros)
Projeta cenários de longo prazo
Quando vale a pena: se você tem investimentos acima de R$ 1 milhão e quer otimizar não apenas a sucessão, mas toda sua estratégia financeira.
Red flags (sinais de alerta)
Desconfie de profissionais que:
Prometem “eliminar totalmente” o ITCMD de forma milagrosa.
Vendem uma única solução para todos os clientes (geralmente holding).
Não fazem diagnóstico detalhado antes de propor.
Não explicam os riscos e desvantagens das estratégias.
Pressionam para você decidir rápido.
Cobram valores muito abaixo ou muito acima do mercado sem justificativa.
Não têm referências ou cases comprovados.
Modelo de honorários
Advogados:
Cobrança por hora: R$ 500 a R$ 2.000/hora
Valor fixo por projeto: R$ 10.000 a R$ 100.000+ (depende da complexidade)
Percentual sobre o patrimônio: 0,5% a 2% (menos comum)
Contadores:
Constituição inicial: R$ 5.000 a R$ 25.000
Manutenção mensal: R$ 500 a R$ 3.000/mês
Planejadores financeiros:
Por hora: R$ 400 a R$ 1.500/hora
Plano completo: R$ 5.000 a R$ 30.000
Percentual sobre ativos sob gestão: 0,5% a 2% ao ano
Próximos passos: comece seu planejamento sucessório hoje
Agora que você entende o que é planejamento sucessório, por que é importante e como funciona, está na hora de dar os primeiros passos.
Faça um diagnóstico patrimonial
Liste todos os seus bens: imóveis, veículos, investimentos, participações em empresas, direitos autorais, qualquer ativo de valor.
Calcule o valor aproximado de cada um (você pode refinar depois com avaliações profissionais).
Some tudo e desconte as dívidas. Esse é seu patrimônio líquido.
Mapeie sua estrutura familiar
Quem são seus herdeiros legais? Cônjuge, filhos, pais?
Há alguém fora do círculo familiar que você deseja beneficiar?
Existem situações especiais? Filhos menores, herdeiros com deficiência, famílias recompostas?
Há potencial de conflito entre seus herdeiros?
Defina seus objetivos
O que é mais importante para você:
Economia máxima de impostos?
Harmonia familiar?
Proteção de herdeiros específicos?
Continuidade de negócios?
Velocidade no processo?
Privacidade?
Não existe resposta certa ou errada. Seus objetivos vão guiar as estratégias escolhidas.
Busque orientação profissional
Com o diagnóstico e objetivos em mãos, procure um advogado especialista em planejamento sucessório.
Marque uma consulta inicial (muitos oferecem a primeira consulta gratuita ou por valor acessível).
Leve sua lista de bens e informações sobre sua família.
Ouça as recomendações, tire suas dúvidas e peça simulações de cenários.
Não tome decisões precipitadas. Se necessário, consulte mais de um profissional antes de escolher.
Implemente as estratégias escolhidas
Depois de decidir qual caminho seguir, é hora de colocar em prática:
Elabore os documentos necessários (testamento, contratos, estatutos).
Faça os registros em cartório.
Transfira os bens conforme planejado.
Configure beneficiários em seguros e previdências.
Formalize acordos familiares, se houver.
Comunique sua família (se apropriado)
Considere conversar com seus herdeiros sobre o planejamento que você fez.
Você não precisa revelar todos os detalhes financeiros se não quiser, mas informar sobre a existência do planejamento e onde encontrar os documentos importantes já ajuda muito.
Deixe claro onde estão guardados: testamento, apólices de seguro, contatos de advogados e contadores, senhas importantes (considere usar um gerenciador de senhas com acesso de emergência).
Revise periodicamente
Marque na sua agenda uma revisão a cada 3 anos ou quando houver mudanças significativas:
Nascimento de filhos ou netos
Casamento, divórcio ou nova união
Compra ou venda de bens importantes
Abertura ou venda de empresa
Mudanças na legislação tributária
Mudança de estado (residência)
O momento é agora: não deixe para depois
O planejamento sucessório é uma das decisões financeiras mais importantes que você pode tomar. Não é apenas sobre dinheiro ou impostos, é sobre proteger quem você ama e garantir que seu legado seja preservado da forma como você deseja.
A Reforma Tributária de 2025 tornou ainda mais urgente essa decisão. As alíquotas do ITCMD estão aumentando progressivamente, e o que você economizar hoje pode significar centenas de milhares de reais no futuro.
Mas além dos números, o planejamento sucessório traz paz de espírito. Saber que sua família estará protegida, que seus desejos serão respeitados e que você evitou conflitos futuros não tem preço.
Lembre-se dos pontos principais
Planejamento sucessório não é só para ricos: se você tem patrimônio, precisa de planejamento. Mesmo valores moderados se beneficiam de organização adequada.
Quanto antes começar, melhor: mais opções, mais economia, menos pressão. Não espere a idade avançada ou problemas de saúde.
Cada família é única: não existe fórmula mágica. Seu planejamento deve ser personalizado para sua situação específica.
É um processo, não um evento: planejamento sucessório precisa ser revisado e atualizado. Faça, mas não esqueça de manter atualizado.
Profissionais especializados fazem diferença: o investimento em bons advogados e contadores se paga rapidamente em economia e segurança.
Envolva sua família: comunicação evita surpresas e conflitos futuros.
Recursos adicionais
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Calculadoras e ferramentas gratuitas
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Perguntas frequentes (FAQ)
Qual a diferença entre planejamento sucessório e inventário?
Planejamento sucessório é feito em vida para organizar antecipadamente a transmissão de bens, reduzindo custos e conflitos. Inventário é o processo (judicial ou extrajudicial) que acontece após o falecimento para dividir oficialmente os bens.
Quanto custa fazer um planejamento sucessório?
Depende das estratégias escolhidas. Um testamento simples custa entre R$ 2.000 e R$ 8.000. Uma holding familiar pode custar R$ 25.000 a R$ 100.000 inicialmente, mais R$ 5.000 a R$ 25.000 por ano de manutenção. O importante é comparar esses custos com o que sua família pagaria sem planejamento.
Com quanto de patrimônio vale a pena fazer planejamento sucessório?
Testamento vale para qualquer patrimônio. Doações compensam acima de R$ 300.000. Holding familiar geralmente vale a pena acima de R$ 2 a 3 milhões. Mas o custo-benefício depende de vários fatores além do valor: complexidade familiar, tipo de bens, objetivos específicos.
Posso fazer planejamento sucessório sozinho, sem advogado?
Tecnicamente é possível fazer algumas coisas sozinho, como um testamento particular. Mas planejamento sucessório envolve questões jurídicas e tributárias complexas. Erros podem custar muito mais caro do que os honorários de um profissional. Para patrimônios significativos, assessoria especializada é indispensável.
O que acontece se eu não fizer planejamento sucessório?
Seus bens serão divididos conforme determina a lei (através de inventário). Esse processo pode demorar anos, custar de 5% a 15% do patrimônio entre impostos e despesas, e gerar conflitos familiares. Além disso, você perde a oportunidade de economizar impostos e não tem controle sobre como seus bens serão distribuídos.
Posso descrever meus herdeiros?
Você não pode excluir herdeiros necessários (filhos, cônjuge, pais) da sucessão, mas pode dispor livremente de 50% do seu patrimônio. Além disso, pode estabelecer condições, prazos e regras sobre como os bens serão administrados.
Holding familiar ainda vale a pena depois da Reforma Tributária de 2025?
Sim, mas com ajustes. A principal mudança é que o ITCMD agora deve ser calculado pelo valor de mercado dos bens, não mais pelo valor histórico. Isso reduz parte da vantagem tributária, mas a holding ainda oferece benefícios importantes: gestão centralizada, governança familiar, proteção patrimonial e facilita sucessão empresarial.
Quanto tempo leva para estruturar um planejamento sucessório?
Depende da complexidade. Um testamento simples pode ser feito em algumas semanas. Uma holding familiar completa com transferência de bens pode levar de 3 a 6 meses. O importante é não ter pressa, fazer com cuidado e assessoria adequada.
Preciso contar para minha família sobre o planejamento?
Não é obrigatório, mas geralmente é recomendável. Você não precisa revelar todos os detalhes financeiros, mas informar sobre a existência do planejamento evita surpresas e prepara a próxima geração. Pelo menos deixe indicação de onde encontrar os documentos importantes.
Posso mudar meu planejamento sucessório depois de pronto?
Sim. Testamentos podem ser alterados ou revogados a qualquer momento. Doações são mais difíceis de reverter (são irrevogáveis), mas a estrutura ao redor pode ser ajustada. Holdings podem ter suas regras modificadas. O ideal é revisar seu planejamento a cada 3 a 5 anos.
O que é melhor: testamento ou doação em vida?
Não existe “melhor” absoluto, cada um tem vantagens. Testamento preserva seu patrimônio em vida e pode ser mudado, mas os bens passam por inventário. Doação antecipa a sucessão e pode reduzir inventário, mas é irrevogável e você paga impostos imediatamente. Muitas vezes a melhor estratégia combina ambos.
Como fica a situação de união estável no planejamento sucessório?
Companheiros em união estável têm direitos sucessórios similares aos cônjuges, mas com algumas particularidades. É essencial formalizar a união estável em escritura pública e, se possível, fazer testamento deixando claro seus desejos. O regime de bens também pode ser definido para a união estável.
Bens no exterior entram no planejamento sucessório brasileiro?
Sim. Se você é residente fiscal no Brasil, deve declarar e planejar a sucessão de todos os seus bens, incluindo os do exterior. O ITCMD pode incidir sobre bens no exterior desde 2021 (decisão do STF). O planejamento fica mais complexo e pode exigir estruturas internacionais.
Seguro de vida realmente não entra no inventário?
Correto. O valor do seguro de vida não integra o espólio (monte a ser inventariado) e não paga ITCMD. Vai direto para os beneficiários indicados na apólice. É uma das ferramentas mais eficientes de planejamento sucessório.
Quanto tempo depois de fazer uma doação posso falecer sem problemas?
Não existe um prazo mínimo obrigatório por lei. No entanto, doações feitas muito próximas ao falecimento, especialmente se a pessoa já estava doente, podem ser questionadas pelos herdeiros ou pela Receita. O ideal é que a doação seja feita com antecedência razoável (pelo menos 1 a 2 anos) e com saúde.
Glossário de termos importantes
ITCMD: Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação. É o imposto estadual que incide sobre heranças e doações, com alíquotas que variam de 2% a 8%.
Herdeiros necessários: São os descendentes (filhos, netos), ascendentes (pais, avós) e cônjuge. A lei garante que eles recebam pelo menos 50% do patrimônio (a legítima).
Legítima: Os 50% do patrimônio que são reservados obrigatoriamente aos herdeiros necessários. Sobre essa parte você não pode dispor livremente.
Parte disponível: Os outros 50% do patrimônio, sobre os quais você pode dispor livremente por testamento.
Usufruto: Direito de usar um bem e receber seus frutos (como aluguel), sem ser proprietário.
Nua-propriedade: Propriedade sem o direito de uso. Quem tem a nua-propriedade é dono, mas não pode usar o bem enquanto existir o usufruto.
Espólio: Conjunto de bens, direitos e obrigações deixados pela pessoa falecida.
Inventariante: Pessoa nomeada (pelo juiz ou pelos herdeiros) para administrar o espólio durante o inventário.
Formal de partilha: Documento que oficializa a divisão dos bens entre os herdeiros ao final do inventário.
Meação: Parte dos bens que pertence ao cônjuge por direito próprio (não é herança), dependendo do regime de bens do casamento.
Colação: Obrigação de trazer à partilha os valores de doações anteriormente recebidas, para garantir igualdade entre herdeiros necessários.
Holding patrimonial: Empresa criada especificamente para administrar bens da família (imóveis, investimentos, participações).
Holding familiar: Termo mais amplo que inclui tanto holdings patrimoniais quanto operacionais, com foco na gestão familiar do patrimônio e sucessão.
Acordo de quotistas: Documento que estabelece regras de governança e funcionamento entre os sócios de uma empresa (no caso, membros da família na holding).
Cláusula de inalienabilidade: Restrição que impede a venda do bem por determinado período.
Cláusula de incomunicabilidade: Impede que o bem se comunique com o patrimônio do cônjuge do herdeiro.
Cláusula de impenhorabilidade: Protege o bem de ser penhorado para pagar dívidas do herdeiro.
Trust: Estrutura jurídica de países de common law onde bens são transferidos para um administrador gerir em benefício de terceiros.
Trustee: Administrador do trust.
Settlor: Quem cria e transfere bens para o trust.
Beneficiário: Quem recebe os benefícios do patrimônio no trust ou em outros instrumentos sucessórios.
PGBL: Plano Gerador de Benefício Livre. Modalidade de previdência privada com dedução no IR (até 12% da renda).
VGBL: Vida Gerador de Benefício Livre. Modalidade de previdência privada sem dedução no IR, mas com vantagens sucessórias.
Ganho de capital: Lucro obtido na venda de um bem por valor superior ao da compra. Sujeito a Imposto de Renda.
Valor venal: Valor de mercado do bem, usado como base de cálculo para impostos.
Valor histórico: Valor de aquisição original do bem, corrigido pela inflação.
Blindagem patrimonial: Conjunto de estratégias legais para proteger o patrimônio de riscos (credores, processos, etc.).
Planejamento tributário: Organização das finanças e estruturas para reduzir legalmente a carga de impostos.
Sucessão causa mortis: Transmissão de bens em razão de falecimento.
Doação inter vivos: Transferência gratuita de bens entre pessoas vivas.
Artigo atualizado em outubro de 2025. As informações aqui contidas têm caráter educacional e não substituem consulta com profissionais especializados. Leis tributárias e sucessórias podem mudar. Sempre busque orientação personalizada para seu caso específico.
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